No coração da Zona Leste de São Paulo, entre os becos do Cangaíba e as curvas da Penha, nasceu um menino com os pés inquietos e os olhos cheios de sonho. Cresceu numa casa simples, dividida entre seis irmãos, onde o barulho do rádio se misturava ao cheiro de comida boa e às risadas apressadas da infância. O tempo era curto, o dinheiro pouco, mas havia uma coisa que nunca faltava: uma bola - às vezes murcha, às vezes feita de meia, mas sempre viva.
Foi na poeira dos campinhos da Abaitara, Vila do Sapo, nos terrenos batidos do Pira, nas manhãs úmidas do Jaú da Penha, e nas tardes douradas do Parque Ecológico do Tietê que ele começou a moldar a sua história. Cada chute, cada queda, cada gol nos campos do Jardim Penha, Miolo, e 11 Garotos não era apenas parte de um jogo, mas de uma luta diária por espaço, por voz, por futuro. Nas quadras lendárias da Edgard Cavalheiro, Malaca cheta, Conde 2, Ruve, Ramos, Santa Lúcia e tantas outras que fazem parte da alma da Leste, ele foi mais que jogador: foi guerreiro, foi menino-homem, foi sobrevivente.
Sem patrocínio, sem chuteira nova, mas com coragem nas pernas e fé no peito, atravessou a infância como quem dribla o impossível. A bola era sua bússola. Entre derrotas que quase o fizeram desistir e conquistas que o fizeram acreditar, ele trilhou um caminho onde o talento e a persistência falaram mais alto que qualquer estatística.